Cirurgia das Amígdalas: por que, como e quando é indicada

Maura Neves • 20 de outubro de 2025

A cirurgia das amígdalas — conhecida como amigdalectomia — é um dos procedimentos mais comuns na otorrinolaringologia, especialmente em crianças. Apesar de ser amplamente realizada, ainda levanta muitas dúvidas entre pais e pacientes:

  • “Por que tirar as amígdalas?”
  • “Será que prejudica a imunidade?”
  • “Como é a recuperação?”

Neste artigo, você entenderá para que servem as amígdalas, quando a cirurgia é necessária, como ela é feita e o que esperar após o procedimento.


O que são as amígdalas e qual é sua função

As amígdalas palatinas são estruturas localizadas no fundo da garganta, visíveis ao abrir a boca. Elas fazem parte do Anel Linfático de Waldeyer, que também inclui:

  • Adenoides (ou tonsilas faríngeas), situadas atrás do nariz;
  • Amígdalas linguais, na base da língua.

Essas estruturas atuam como barreiras naturais de defesa, ajudando a proteger o corpo contra vírus e bactérias que entram pelas vias respiratórias e digestivas.

Por isso, as amígdalas são maiores na infância, quando o sistema imunológico ainda está em formação, e tendem a regredir naturalmente na vida adulta.


Quando a cirurgia das amígdalas é indicada

A amigdalectomia não é indicada apenas porque as amígdalas são grandes. Existem critérios médicos claros que determinam quando a cirurgia é realmente necessária.


As principais indicações são:


1. Infecções de repetição

A cirurgia é recomendada quando há amigdalites bacterianas recorrentes, confirmadas por exame clínico e que exigem tratamento com antibióticos.

Geralmente, indica-se cirurgia se ocorrerem:

  • 7 ou mais infecções no último ano;
  • 5 ou mais episódios por ano nos últimos 2 anos;
  • 3 ou mais episódios por ano nos últimos 3 anos.

2. Aumento exagerado das amígdalas (hipertrofia)

Quando as amígdalas são muito grandes, podem obstruir a passagem do ar, causando:

  • Respiração bucal;
  • Roncos noturnos;
  • Apneia do sono (pausas respiratórias durante o sono);
  • Dificuldade para engolir alimentos.

Em muitos casos, há aumento simultâneo das adenoides, e a cirurgia é feita para retirar ambas (adenotonsilectomia).


3. Mau hálito persistente (halitose) e formação de cáseos

Alguns pacientes apresentam pequenas “massinhas brancas” nas amígdalas, conhecidas como cáseos amigdalianos.
Eles são compostos de restos alimentares e células, causando
mau hálito mesmo sem infecção ativa.

Quando os cáseos são frequentes e incômodos, a remoção cirúrgica das amígdalas é o tratamento mais eficaz.


A cirurgia das amígdalas prejudica a imunidade?

Essa é uma das dúvidas mais comuns — e a resposta é não.
A remoção das amígdalas
não enfraquece o sistema imunológico, pois outras estruturas linfáticas continuam desempenhando a função de defesa.

Após a cirurgia, o corpo mantém sua capacidade de combater infecções normalmente.


Como é feita a cirurgia das amígdalas

A cirurgia é realizada pela boca, sem cortes externos ou cicatrizes visíveis.
O procedimento é feito sob
anestesia geral e dura, em média, 30 a 90 minutos.

Existem diferentes técnicas — com bisturi, radiofrequência ou cauterização — e, embora o laser seja muito citado, os estudos não mostram vantagens significativas em relação aos métodos convencionais.

O essencial é que o cirurgião otorrinolaringologista tenha experiência na técnica utilizada.
A alta costuma ocorrer
no mesmo dia da cirurgia.


Cuidados e recuperação no pós-operatório

O pós-operatório requer atenção e cuidados simples, mas importantes:

Alimentação

Nos primeiros dias, a dieta deve ser líquida e fria — como sucos, gelatinas e sorvetes —, progredindo gradualmente para alimentos pastosos e depois sólidos. O famoso “sorvete depois da cirurgia” é realmente indicado, pois ajuda a aliviar a dor e o inchaço.

Repouso

Evite exercícios físicos, locais quentes e exposição ao sol durante as primeiras duas semanas.
Esses cuidados reduzem o risco de
sangramento, que é a principal complicação possível no pós-operatório.

Controle da dor

A dor é esperada, principalmente ao engolir, mas é bem controlada com analgésicos e anti-inflamatórios prescritos pelo médico.
O desconforto costuma melhorar após
7 a 10 dias.


Perguntas mais comuns sobre a cirurgia das amígdalas

1. A cirurgia das amígdalas é muito dolorosa?

O desconforto é variável, mas geralmente leve a moderado. A dor é controlada com medicamentos e melhora progressivamente após uma semana.

2. Crianças pequenas podem operar?

Sim. A cirurgia pode ser indicada em qualquer idade, desde que haja obstrução respiratória importante ou infecções repetidas.
Em muitos casos, operar cedo melhora o sono, o apetite e até o desenvolvimento da criança.

3. A cirurgia melhora o sono e o ronco?

Sim. Quando o aumento das amígdalas e adenoides causa apneia obstrutiva do sono, a cirurgia traz grande melhora na respiração e na qualidade do sono.

4. Posso escolher a técnica cirúrgica (laser, bisturi etc.)?

O tipo de técnica deve ser definido pelo cirurgião, considerando o caso clínico e a segurança do paciente. O mais importante é o domínio técnico do profissional, não o equipamento utilizado.

5. É normal ter dor e crostas brancas após a cirurgia?

Sim. A dor e a presença de placas esbranquiçadas na garganta são esperadas no processo de cicatrização. Apenas sangramentos intensos ou febre alta exigem avaliação médica imediata.


Quem pode fazer a cirurgia das amígdalas

A cirurgia pode ser realizada em crianças, adolescentes e adultos, desde que haja indicação clínica.
Não existe uma idade máxima para o procedimento.
O mais importante é avaliar
como os sintomas impactam a qualidade de vida, especialmente em casos de apneia, infecções frequentes ou halitose persistente.


Conclusão

A cirurgia das amígdalas é um procedimento seguro e eficaz, indicado em situações específicas, como infecções de repetição, aumento obstrutivo ou formação de cáseos com mau hálito.

Com o acompanhamento médico adequado e cuidados corretos no pós-operatório, a recuperação é tranquila e os resultados são duradouros.

Se você ou seu filho apresentam infecções de garganta frequentes, roncos ou respiração bucal, procure um otorrinolaringologista.
Somente uma avaliação individual pode determinar a melhor conduta para cada caso

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